Maria Firmina dos Reis

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Novas perspectivas literárias para pensar o Brasil

Maria Firmina dos Reis (São Luís do Maranhão, 1822 – Guimarães, 1917), romancista, poeta, musicista e professora, atualmente tem lugar cativo na literatura brasileira, pois não (mais) se refuta a importância da maranhense em inaugurar a literatura afro-brasileira. Com Úrsula (1859), Maria Firmina se tornou a primeira escritora abolicionista e expôs a violência da escravidão tematizando, por exemplo, a travessia marítima da diáspora carregada de desgraças, além de atribuir complexidade e subjetividade a personagens negras e negros, que, quando apareciam nas narrativas, eram figuras subalternizadas e estereotipadas. Firmina viveu quase cem anos, mas a reconstituição sobre a sua biografia permanece em processo. A descoberta da data de seu nascimento, por exemplo, é de 2017 — por muito tempo ficou estabelecido o ano de 1825 como sendo o seu nascimento — até a pesquisadora Dilercy Aragão Adler trazer à tona sua pesquisa no Arquivo Público do Estado do Maranhão, corrigindo o equívoco. A pesquisadora Fernanda Miranda comenta: “Além de não possuirmos registro de nenhuma fotografia, tais dados acerca de sua biografia remetem a descobertas recentes. Firmina nunca se casou nem teve filhos biológicos, mas adotou onze. Viveu em um núcleo familiar composto de mulheres”. Maria Firmina inovou a literatura brasileira em uma época em que o campo literário apresentava obstáculos e interdições para mulheres de maneira geral. Portanto, é de se considerar que as dificuldades fossem ainda mais presentes e acentuadas para uma mulher negra, filha de uma “mulata forra”, de origem familiar modesta. Porém, Firmina conseguiu se introduzir no meio literário maranhense e desafiou a invisibilidade social que marcava a ascensão de intelectuais negros. Úrsula, A escrava, Gupeva e Cantos à beira mar, entre outras obras, sobreviveram há anos de apagamento e hoje finalmente recebem o valor e a importância que merecem. Sendo uma das primeiras intelectuais negras brasileiras, Maria Firmina dos Reis abriu os caminhos e foi precursora em questionar o sistema colonial que até hoje nos atravessa. 

Em 2018, a pesquisadora Luciana Diogo, doutoranda do Programa de Pós Graduação em Literatura Brasileira, criou o site https://mariafirmina.org.br/ para concentrar e disponibilizar o acesso às informações sobre Maria Firmina dos Reis. A página vem sendo permanentemente atualizada pela estudiosa.

 

Fontes bibliográficas:

DIOGO, Luciana. Maria Firmina dos Reis: Vida literária. Rio de Janeiro: Malê, 2022.

MIRANDA, Fernanda R. Silêncios prescritos: Estudo de romances de autoras negras brasileiras (1859 - 2006). Rio de Janeiro: Malê, 2019.

Responsável: Mariana Diniz Mendes (Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Literatura Brasileira - FFLCH/USP)