Carolina Maria de Jesus

 

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Viva Carolina: Da favela pro mundo por meio da escrita 

Carolina Maria de Jesus é considerada a precursora da poesia periférica no Brasil. Gostava de samba, de namorar e de ser livre. Foi lavradora, empregada doméstica, catadora de recicláveis, mãe solo e escritora.

Nasceu em Sacramento - MG, filha de lavradores. Frequentou a escola por dois anos, o suficiente para aprender a ler e a escrever. Ainda criança, leu “A escrava Isaura” e, depois disso, não parou mais de ler.

Chegou a São Paulo em 1937 e trabalhou como empregada doméstica, aproveitando as oportunidades de explorar a biblioteca dos patrões. Quando se tornou mãe, Carolina virou catadora de papéis e materiais recicláveis. Em 1948 foi viver na favela do Canindé com os três filhos.

Tomada pelo desejo de escrever, Carolina escrevia diários, poesias. Assim organizava seus pensamentos, refletia sobre sua vida, sua condição social, a política. Parte desses diários se transformaram, com a ajuda do jornalista Audálio Dantas, no livro “Quarto de despejo” (1960), sucesso de vendas. Isso permitiu que Carolina realizasse o sonho de sair da favela, mudando-se para uma casa de alvenaria no bairro de Santana, zona norte de São Paulo.

Ela continuou a escrever, mas suas publicações seguintes não alcançaram o mesmo êxito. “Quarto de despejo” foi traduzido e publicado em diversos países, mas Carolina foi reduzida, em vida, à imagem de uma favelada que escrevia, deixando de ser interessante para o público e a crítica quando a favela, a pobreza e a fome saíram do centro de sua obra.

Depois de se mudar para um sítio em Parelheiros, zona sul de São Paulo, e voltar a trabalhar como catadora de papel, Carolina morreu em 1977. Além de diários, deixou escritos poemas, contos, peças de teatro e romances. 

A partir de 1990, sua obra passa a ser objeto de estudos acadêmicos que vão além da análise social de seus escritos e se debruçam sobre aspectos estéticos e literários de sua obra, suas referências e sua necessidade de expressar-se artisticamente, reforçando que o valor de sua obra está muito além do retrato cru da pobreza.

Obras publicadas em vida

Quarto de Despejo: Diário de uma favelada (1960)

Casa de Alvenaria: Diário de uma ex-favelada (1961)

Pedaços de Fome (1963)

Provérbios (1965)

Obras póstumas

Diário de Bitita

Meu Estranho Diário

Antologia Pessoal

Onde estaes felicidade?

Meu sonho é escrever

Clíris: poemas recolhidos

Sobre as obras de Carolina, vale ressaltar que, nos últimos anos, os processos editoriais que envolveram a publicação de seus primeiros livros têm sido questionados, em grande parte por causa das divergências encontradas entre os manuscritos originais e os volumes de fato publicados. Essas divergências provavelmente estão relacionadas à tentativa de cristalizar a imagem estereotipada da “escritora favelada”. Por isso, pode haver diferenças entre edições mais antigas e edições mais recentes das publicações, que em geral buscam ser mais fiéis ao que de fato foi escrito pela autora.

Fontes:

MIRANDA, Fernanda Rodrigues de. Os caminhos literários de Carolina Maria de Jesus: experiência marginal e construção estética. Dissertação (Mestrado em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa) – Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, 2013

MEIHY, José Carlos Sebe Bom; LEVINE, Robert M. Cinderela Negra: A Saga de Carolina Maria de Jesus. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1994

 

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Responsável: Ana Cláudia Ferreira dos Santos - Graduação Letras (FFLCH - USP)